Analfabetismo: uma algema a mais para o cortador de cana.
Alexandre Junior
O analfabetismo atrelado a o cultivo da cana-de-açúcar na zona rural da Mata Sul Pernambucana tem raízes muito profundas. As mesmas remetem ao início da história econômica do Brasil. E, segundo o historiador Alencastro, há uma conexão entre os dois lados do Atlântico Sul, formando assim um sistema interdependente.
A falta de investimentos na produção canavieira (PAGE:1972) reflete na falta de investimento em seus trabalhadores que para exercer funções de caráter braçal, não necessitaria conhecer a escola eu os seu conteúdos.
Com isto, nós encontramos um número muito elevado de trabalhadores da palha da cana que não sabem decodificar os signos da linguagem escrita, ficando assim a mercê de uma pessoa que possui estas habilidades.
Analisando os arquivo do TRT da 6ª Região, pude constatar o grande número de trabalhadores que não sabiam ler e escrever, mas ratificavam seu contratos de trabalho e de rescisão contratual o quanto haviam recebido.
Em fim, os trabalhadores rurais, filhos de analfabetos explorados trazem consigo as marcas da opressão que foram vítimas nos seu corpos e nas suas digitais que podem ser vistas nos processos trabalhistas ainda hoje.
Imagem disponível em: http://paradiaspordosol.files.wordpress.com/2009/12/cortadores-de-cana.jpg
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