A presença do governador, Miguel Arraes, era percebida em Palmares de maneiras diversas. Uma delas estava ligada aos trabalhadores
que o elegeram para ocupar o cargo em 1963. Estes, por sua vez, esperavam as mudanças
estruturais de que a Mata Sul tão marcada pelo “latifúndio, casa grande e
senzala” precisavam. De outro lado havia os detentores do poder, ligados as elites
agrárias e urbanas, que por sua vez eram avessas a qualquer sinal de perda de
privilégios.
Os textos da Câmara Municipal dava a entender que haveria uma
mudança significativa na estrutura agrária do Estado de Pernambuco.
Soava como um alerta para os latifundiários. E, o medo era usado para justificar a repressão em Palmares. Era mais ou menos assim. A imprensa publicava que Palmares vivia em um clima de medo, os espiões diziam quem eram as "pessoas perigosas" e a polícia batia em todo mundo.
Em 1967 o presidente da república, o general Costa e Silva vem visitar uma Palmares pacificada, sem ninguém a pedir melhores salários ou melhores condições de trabalho, ninguém reclamava da saúde. Por quê? Estava bom? Não! Mas todos tinham medo da prisão, da tortura, da morte e da infâmia.
Tudo o que pudesse indicar uma participação
popular ou provocar algum tipo de perda para a elite, poderia no contexto de
guerra fria ser associado ao terror do comunismo. E, podia-se somar a isto a
pressão causada pela simples presença de um sindicato de trabalhadores rurais com muita força naquele município.
O golpe militar trouxe para este município um alívio para os detentores do poder e um atraso em termos de desenvolvimento social de Palmares.
A cidade de Palmares que se conhece hoje é resultado de um golpe a nível nacional que reforçou as estruturas conservadoras da nossa cidade e acima de tudo da cana-de-açúcar como modelo de desenvolvimento econômico que espolia ao mesmo tempo as pessoas e a natureza.
O fim da mata ciliar e a baixa escolaridade deste município estão ligadas a este processo político de 31 de março de 1964.


Comentários
Postar um comentário