Os jovens
lembram? Do quê? Já faz muito tempo?
Então,
esqueceu!
Estudar a
memória, como participação efetiva no mundo da política é condição fundamental
para qualquer abordagem sobre a que se convenciona chamar de sociedade. Sem
memória, ou melhor sem uma memória em disputa, a manipulação do povo é quase
certa.
Há uma clara relação entre os instrumentos de
construção de memória coletiva e democracia, como participação cidadã. E, neste
hiato, entre memória e práxis, o discurso escrito e exposto oralmente se
transforma do veículo hegemônico-material deste processo. Ao lado de outras
manifestações, tais como, as artes visuais, mais passíveis de interpretações,
mas que podem reforçar este edifício conceitual. Porém, gostaria de insistir no
discurso, como tática de memória e desmemoria que possibilitaram um “ethos”, no
qual, os grupos supostamente detentores do poder podem justificar, contestar ou
simplesmente se posicionar no mundo.
Sem memória não pode haver continuidade das
lutas, não havendo memória não há uma tradição, um lastro, um cabedal que
ampare novas organizações pelo direito, pela manutenção das conquistas
populares, por mais inclusão.
Só a memória e, sua recuperação cotidiana poderá
conferir subsídios hermenêuticos para um “estar
no mundo” e, com ele interagir. Porque as pessoas não são tábuas rasas, seu
existir é precedido por outros, formando assim uma rede de relações, onde o
passado, presente e futuro se complexificam para criar o que convencionalmente
se define como lugar.
É em função desse lugar, como afirma Michel de
Certeau, em A Escrita da História, que se instauram os procedimentos para a
leitura da realidade. E, fazendo uma ponte rápida com a tendência marxista da
história, as condições materiais configuram-se como ponto de partida para a
leitura da história. Estas condições materiais são parte de um todo maior. Eu chamo
este todo de realidade total, na qual estão presentes elementos que se sobrepõem
em constante mudança, sendo composto de aspectos materiais, psicológicos (conscientes
e inconscientes) onde o sujeito pode se configurar como ser individual ou
coletivo.
Sendo assim, o lugar em que estamos agora é
fruto de interações pré-existentes, presentes e prenhe de possibilidades, ao
mesmo tempo sendo perpassado constantemente perpassado por outros lugares em um
diálogo ininterrupto. E, cada vez mais amplo, acelerado e vazio de memória,
quanto a sua percepção e consciência.
O problema surge da necessidade de cognição,
interpretação destes lugares. Os meios de comunicação de massa surgem como uma
proposta, rápida, ao lado de outros meios mais lentos, porque exigem um tempo
maior de maturação intelectual. Sendo cada vez mais sedutores, estes meios de
comunicação oferecem o mínimo de informação e o máximo de agilidade. Deste modo,
seu usuário estará cada vez mais informado de tudo e de nada, ao mesmo tempo.
Me parece que estamos vivendo um paradoxo
existencial. Estamos cada vez mais informados e desmemoriados. No lugar de
adentrarmos em reflexões sobre a modernidade líquida ou coisa do tipo, cabe
lembrar que estamos vivendo continuidades seculares, por exemplo, a exploração
a classe operário pelo capital internacional.
Cabe investigar as estruturas, ver nelas as
continuidades e rupturas. Ver os mecanismos de camuflagens, no processo de construção
e de reprodução da memória. Não podemos esquecer que as condições materiais
estão postas e, estas não são tão rápidas assim.
Por isso vamos ficar de olhos bem atentos a
todos os pronunciamentos em nome da imparcialidade. Mas isso é outra questão a
ser tratada com mais calma. Domingo o
Brasil vai às urnas para escolher quem ocupará a presidência da república.
Não vou me esquivar, apoio o projeto de Dilma.
Apoio por acreditar que a esquerda ainda é a melhor opção para o povo. Não
acredito nas propostas de Aécio Neves, não acredito na receita do FMI. Se servisse
para alguma coisa, a Europa não estaria em crise, mesmo seguindo fielmente sua
cartilha.
A memória é de todos. E, a história é uma memória em disputa!
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