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Em tempos de democracia

Em tempos de democracia

            A democracia, como realidade histórica, teve seu início da Grécia Antiga, mas ao longo do tempo foi sendo expandida para vários países, constituindo-se em um dos elementos essenciais do mundo ocidental. Como sistema histórico social, a democracia nunca conseguiu ser plena, o que de maneira nenhuma esvazia seu conteúdo e apelo.
            Porém, esta ausência de democracia plena, em sentido literal levou a algumas pessoas a um erro comum, para não dizer brutal de que a democracia é uma ditadura disfarçada ou coisa do tipo. A democracia não é o céu, o paraíso suprassumo, ou coisa do tipo.  
Existem algumas pessoas que pensam que a democracia é uma forma de harmonia total entre as pessoas, de maneira tal, que não existam conflitos. A democracia é justamente o oposto desta situação de letargia. Este modo de organização social é o palco favorável para que os conflitos aparecem e, que sejam resolvidos a partir de regras pré-estabelecidas, criando assim, o Estado de Direito.   
É na democracia que a praça pública, tem sua função social, nela que as instituições representativas podem atuar, tentar diminuir os conflitos em torno de questões gerais e específicas. Sem conflito não há democracia. Sem conflito há ditadura, imposição, massacre, aniquilamento. E, estes conflitos, por sua vez, se manifestam a partir da experiência de classe. Temos a partir de Bourdieu um conceito geral de classe, como um corpus geral, dentro de um sistema orgânico social. Esta classe se configura nas relações dentro deste sistema social.
Será a partir da experiência de classe, dos conflitos, dos acordos coletivos a democracia vai sendo vivida por um conjunto de pessoas, em um determinado lugar social, nem sempre da mesma maneira. É evidente que um grupo de trabalhadores rurais em Tucumán enxergue o mundo de um ponto de vista diferente de um executivo em New York. Para cada olhar, uma paisagem, um modo de ser e estar no mundo. Mesmo que existam interpretações compartilhadas do mundo, a partir de instrumentos de coalisão social, a experiência é única e incomunicável. Ninguém consegue viver a vida do outro, a não ser como farsa.

Democracia brasileira, ainda insipiente

O jeito de viver a democracia no Brasil é particular. O conceito de conciliação foi aos poucos sendo infiltrado no Estado democrático brasileiro. Talvez esse seja um dos fatores para o enfraquecimento deste sistema somado a uma ausência de ruptura drástica. No lugar de rupturas temos continuidades que perduraram durante séculos. E, as estruturas velhas, os grupos de poder permaneceram quase que inalterados.
O Estado brasileiro foi vítima de golpes militares, sendo o mais recente, em 31 de março de 1964 e que durou vinte anos. Durante este período, as liberdades foram cassadas e, o terrorismo de Estado foi adotado como política de controle social. Neste período, ser democrata era sinônimo de criminoso, perigoso. Não se pode, a não ser de má fé comparar democracia e ditadura.
O Estado de direito no Brasil é recente, porém os grupos que controlam o Estado, o fazem há séculos. E, se movimentam ao sabor do jogo de poder. Vão se mantendo no topo da escala social e, explorando a maioria da população que vive fora dos centros de decisão.
Entretanto, a partir de 2003, com a vitória de Lula para a presidência da república, aumentou exponencialmente a possibilidade de uma mudança mais acentuada no jogo de poder no Brasil. Mesmo chegando ao poder em bases contraditórias, os doze anos da era Lula – Dilma tem se mostrado um avanço social, antes nunca visto. O modelo aos poucos, de forma lenta, gradual e conciliadora está mudando. O presidente Lula, em um discurso realizado em São Bernardo do Campo, por ocasião do dia do trabalhador reconheceu que sua vitória era fruto do amadurecimento do povo brasileiro que decidiu tomar para si, sua própria história.
Aos poucos, no Brasil, a democracia está se tornando sinônimo de poder popular, mesmo em meio a conflitos, disparidades sociais e em marcha lenta, muito lenta.



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