Na América Portuguesa e, na América Espanhola havia uma aliança entre Igreja e Estado, de tal modo que os bispos eram mantidos pelo Estado e, estavam sob sua tutela. Ambas as instituições lucravam muito com este acordo, pois envolvia tráfico negreiro, concessões em portos, regalias em contrato com o Estado etc.
Estas relações deixaram marcas profundas na mentalidade das sociedades que foram sendo plasmadas, ao longo do tempo.
De um modo geral nós temos como modelo de sociedade a ser seguido, a cidade santa, ideal e sem conflitos de Santo Agostinho, que evidentemente se contorce em seu túmulo diante destes tipos de releitura de sua obra. No entanto, os conflitos estão presentes em toda as sociedades latinoamericanas e, de modo mais visível, a luta pela sobrevivência individual e de classe.
Não gostaria de reduzir aqui a questão do conflito a luta de classe, pois no século XXI, ele se torna cada vez mais complexo, ganha novos contornos, porém sem a questão teórica da luta de classe, o conflito como investigação teórica ou como prática ficaria desfigurado.
Neste cenário de luta de interesses, mais variados, a religião, a Igreja Católica possui um papel chave: a manutenção do povo em silêncio, adotando a postura de passividade, de não reação aos maus tratos quem vem sendo vítima, ao longo dos séculos. Neste sentido Marx tinha razão quando equiparou a religião a um psicotrópico que torna as gentes mais tranquilas e, sem reação, enquanto são espoliadas pelas classes dominantes.
Por que refletir sobre estas questões?
O Brasil está sendo vítima de um golpe de Estado Parlamentar, com apoio do Poder Judiciário e amparada pela mídia nativa. E, o que me chama a atenção é a postura da CNBB. Esta desde sua fundação tomou postura aguerrida contra os golpes na América Latina, mas que em 1964 aderiu ao golpe militar, vindo décadas depois, voltar atrás em sua postura, tornando-se um dos pilares de sustentação contra o regime ditatorial.
Décadas depois, a Igreja, alheia ao que se passa em 2016, mantêm um silêncio institucional, muito suspeito, muito conveniente aos servos do poder. Longe do povo, do mundo real. A Igreja vive de memórias, não debate o Brasil real e, fica presa em teologias baratas, liturgias sem gente e, morte sem ressurreição.
Realmente, estamos vivendo tempos difíceis. Mas vamos erguer as mãos e dar glória que este tempo ruim vai passar!?
A Igreja Católica, no Brasil, mais uma vez perdeu a chance de ver o Brasil real. Enquanto isto, as pregações e textos publicados procuram, ainda com pouca lucidez desvendar um mundo de dois mil anos arás. Pode?
Espero que a Igreja possa aprender com o Papa Francisco a denunciar concretamente as injustiças, mas não dá sinais para isto. Pelo contrário, seu silêncio mostra que ela é mais um agente do golpe contra a democracia e contra os avanços sociais que o Brasil experimentou nos últimos anos.
Não adianta falar que um padre está fazendo uma denúncia ou um bispo do sertão. A CNBB permanece em silêncio, não há denúncia, quiçá mobilização nas ruas. Ou seja, mais um agente de legitimação por força da inércia e conveniência.
Cadê o Brasil real? Chanto não é?
Em cima do muro, agente vai levando, orando...nada, nada, nada...


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