Alexandre Lima
Doutorando em
Sociologia – PPGS UFPB.
O contexto de formação histórica
do Brasil foi marcado, profundamente, pela opressão racial. Negros e indígenas
não faziam parte do cenário hegemônico político brasileiro. Há na memória
coletiva um presidente negro? Eu tento pensar em alguém, mas não me lembro de
ninguém.
Ora, se estamos distantes de uma
memória sobre um possível presidente negro, muito mais distantes e sobrepostas
estão as camadas que vão se somando em torno das questões de gênero, posição
social, racial, da geografia do poder, situação religiosa e política etc.
A questão racial no Brasil não é
algo isolado, mas, ao contrário, está totalmente integrada em uma rede de
relações sociais que se reforçam, impedindo, invisivelmente, a exclusão de boa
parte da sociedade brasileira.
Sim, a exclusão faz parte do
modelo social implementado no Brasil. Sim, a exclusão não é uma anomalia do sistema
social brasileiro, mas é parte dele. E, dentro desse quadro, a exclusão racial
é peça chave. Desde a concepção, o
ser-negro brasileiro sofre mais. Não tem estrutura, não foi planejado e, muitas
vezes não é desejado ou ainda é visto como um erro da juventude inexperiente.
| Dandara |
Quando a criança negra nasce em
um hospital público, nasce em meio a tantas dores que vão se multiplicando: as
dores do parto, as dores do mal atendimento, as dores das incertezas da vida.
Dizendo de outra forma, as dores da grande certeza da não ascensão social. A
certeza de que as pessoas que nascem negras no Brasil têm que se esforçar muito
mais para ter o mesmo padrão de vida de uma pessoa de pele clara.
Sendo assim, ser negro ou pardo
no Brasil significa ter que se superar, todos os dias, mas isso não é uma
tarefa das mais simples porque a vida não é feita só de força. Os negros também
se cansam, envelhecem, passam por todas as agruras de uma pessoa de pele branca.
Desejo um país cada vez mais
inclusivo, mas enquanto vigorar um sistema ideológico que reforça desde a tenra
idade o racismo no Brasil, por todos os meios imagináveis, a maioria dos negros
serão constantemente convidados, pelo modelo vigente, a repetir os esquemas de
opressão e dos seus opressores.
Infelizmente o racismo não é uma
realidade externa a nós, mas mora no mais profundo do nosso ser brasileiro. Um
mal profundamente arraigado e que só será superado com esforço da maioria da
nossa gente.
Precisamos de novas histórias com negros vitoriosos e vitoriosas para que nossas crianças cresçam com imagens positivas e felizes de uma gente que vence e vencerá, apesar de todas as dores.
O futuro nos pertence porque o
presente é nosso.
Abraços e fiquem bem.
UBUNTU para todos!
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