A cada
quatro anos acontece um novo ciclo no Brasil de tal maneira que
quando uma pessoa perguntasse sua idade você que mora no Brasil
deveria responder, dependendo da situação quatro ou oito anos. Uma
vez que a “primavera brasileira” acontece em um ciclo de
quatro anos.
Como
superar esse quadro?
Não será
apenas com o voto que mudaremos isso porque quatro anos é tempo
demais. É necessário ler mais, prestar mais atenção aos arranjos
políticos e tentar identificar as consonâncias, os
“orquestramentos” das notícias, ou seja, identificar as relações
existentes entre o dito e o não-dito. Devemos, com toda nossa
resignação compreender que a imprensa não fala da realidade, mas
apenas edita o que é considerado como mais importante ou que venderá
mais jornais. Ou seja, o jornal não reapresenta a realidade.
Pensar é
isso que nos humaniza, segundo Descartes: Penso logo existo.
Sobre
isto, Dom Helder Câmara em sua sabedoria dizia que o povo sabia
pensar. E, a tendência de escolher gestores com características
novas, com novas formas de relacionamento com as pessoas revela um
amadurecimento crítico que o povo vem galgando a cada
eleição.
Contudo,
é preciso refletir, trazer para o cotidiano as questões de base
como a gestão dos recursos naturais, as relações entre
desenvolvimento econômico e social. Ou melhor, qual é o saldo de
tal ou tal indústria vir para minha cidade? Que caminho devemos
seguir coletivamente?
Neste
aspecto eu rogo aos estudantes, de modo especial, aos estudantes e
profissionais das ciências humanas, sem excluir de tal modo as
outras áreas que ajudem nesta reflexão. Paulo Freire já apontava a
importância para a leitura do mundo. Mas não só Paulo Freire,
Gramsci aponta para nossa função dentro da sociedade na qualidade
de intelectuais orgânicos, fermento na massa. Um diferencial que
fará nosso povo pensar por si só.
É muito
importante perceber que cada um tem sua história e a sociedade traz
em si, de uma forma bem complexa, a história de cada um, mesmo não
proporcionalmente. Por este motivo, vamos zelar pelo nosso lugar
comum, nossa cidade e inaugurarmos um novo tempo de mudanças e de
continuidades, mas que não comece do zero a cada quatro anos.
Muita luz
e sucesso para quem está iniciando seu mandato e quem conseguiu a
reeleição, bom trabalho. E, para quem foi derrotado, a sabedoria de
participar do jogo da democracia sem rancores ou coisa do tipo.

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