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Direito a memória

O golpe militar, ou civil-militar que durou de 1964 até 1985 ainda é um ponto obscuro na memória do povo brasileiro. Para se ter uma ideia do que está acontecendo, a copa do mundo de 1958 é bem mais comentada do que o golpe que transformou a trajetória do nosso país.
Do ponto de vista teórico, segundo Le Goff, a memória é objeto de disputa pelos grupos sociais e , o discurso acerca dela também o é. Ainda seguindo este caminho de reflexão, é necessário retirarmos as ilusões que tanto afetam nosso pensar. A primeira delas é a ilusão que nos fornece a informação de que o documento histórico é livre de interesses ou significados ideológicos e, a segunda é que o fazer historiográfico pode ser isento ou melhor imparcial.  Sobre este aspecto, Michel de Certeau no seu livro a Escrita da História desconstrói isso de maneira expendida ao situar o historiador numa teia de influências que o cercam e que ao mesmo tempo limita o ser fazer historiográfico.
Pois bem, esta breve reflexão nos induz para pensarmos o que restou de memória sobre o golpe de 1964. O que parece é que existem nichos de memória, lampejos que teimosamente resistem à frieza dos meios de comunicação e a grande maioria dos formadores de opinião. 
E, o pior, para muitos brasileiros desenformados, o golpe foi um sinal de limpeza que o Brasil tanto precisava e eu me pergunto porque depois de tanto tempo as coisas pioraram de tal forma que o governo militar se tornou insustentável, mas por incrível que possa parecer o discurso de moralidade e de limpeza ainda permanecem de pé. 
É por esse motivo que a memoria, como diria Waly Salomão, " a memória é uma ilha de edição". 


Por este motivo, vamos contribuir para o esclarecimento dos fatos ocorridos para o bem da democracia e da memória do nosso povo. 

Abraços a todos, com alegria e sem perca de memória. 

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